Série "Neurociência e as profissões"

Texto 1
  • A importância da neurociência para a Psicologia

 

     Quando olhamos para a história da psicologia, podemos notar o quanto ela é recente. Diversos autores contribuíram, com diferentes abordagens que muitos abriram caminho para novos conhecimentos. Um desses caminhos, foi aberto com o Cognitivismo.  Os fundadores foram George Miller e Neisser. Utilizando-se de conceitos da neurociência descobriu-se padrões importantes sobre o cérebro e a linguagem, sobre os diferentes tipos de memória que possuímos e como a utilizamos, dentre diversos outros processos psicológicos básicos.

   A neurociência, nos ajuda a entender como diversos processos psicológicos ocorrem: o desenvolvimento do sistema nervoso central durante a infância e como isso afeta as habilidades cognitivas do indivíduo no futuro; os períodos críticos de habilidades, processos motores e coordenação, membros fantasmas, dentre outros. Contudo, na minha opinião, uma das maiores contribuições da neurociência é seu novo olhar para os tratamentos e como os pacientes se desenvolvem com os medicamentos ou as terapias, através de aparelhos, como a ressonância magnética e o eletroencefalograma.

     Muito ainda há de ser descoberto, mas o cognitivismo parece ser a escola dentro da psicologia, que faz uma grande síntese de uma grande parte das escolas anteriores e se utiliza de métodos científicos, mas sem nunca esquecer que por detrás de tudo, há um ser humano único que deve ser tratado assim.

 

                                                                                                                             Mariana Carvalho

Texto 2
  • A importância da neurociência para a Fonoaudiologia

 

      A comunicação humana é o dom mais surpreendente da espécie humana e longe do que se parece não é algo tão simples. O ato de comunicar não envolve apenas grupos musculares que movimentam a língua, mandíbula e laringe. Estas atividades motoras obedecem ao comando de uma estrutura de um alto nível hierárquico, que é o cérebro.

      Os fonemas antes de serem produzidos pelos grupos musculares envolvidos devem ser aprendidos, e o aprendizado dependerá de estímulos sensoriais e habilidades cognitivas. O objeto a ser reproduzido posteriormente através da fala será captado por estímulos visuais e auditivos, em seguida estes estímulos chegaram ao cérebro onde serão percebidos, memorizados e compreendidos. Após a compreensão dos fonemas, o cérebro montará uma rede de circuitos que planejarão e controlarão o movimento dos músculos para a articulação do som. O cérebro possui várias áreas e cada uma possui uma especialidade. Cada especialidade se comunica com outra para dar um significado ao fonema e palavra, ou seja, relacionar o som ao objeto, o som da palavra ao alcançar a área responsável por fazer a recepção dele se comunicará com as áreas de memória visual, auditiva, tátil e outras que juntas montam uma representação para tal fonema, trazendo um conjunto de informações como aparência do objeto, para que servem as cores, onde se encontra e muitas outras relações.

      Existem algumas barreiras que comprometem a comunicação humana, como patologias que comprometem a audição, voz, fala e linguagem. Esses comprometimentos podem ter causa neurológica ou periférica, e uma especialidade que lida com as alterações que comprometem a comunicação é a fonoaudiologia. Não há dúvidas do quão relevante é a neurociência para a fonoaudiologia, pois para entender a comunicação humana, deve-se conhecer o órgão que a controla e a dá sentido

 

                                                                                                                       

                                                                                                                                  Ronielio Ribeiro

Texto 3
  • A importância da neurociência para a Fisioterapia

 

“A Fisioterapia é definida como a ciência da saúde que estuda, previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais que acontecem em órgãos e sistemas do corpo humano.”

     E qual a importância da Neurociência na Fisioterapia?

     Ao ler essa frase, pensei: “É simples, a Fisioterapia não existe sem a Neurociência!”. É possível desenvolver algum tratamento fisioterapêutico eficaz sem conhecimento sobre o Sistema Nervoso? Não! Não é possível. A Fisioterapia é a ciência da saúde que trata e previne os problemas do corpo humano relacionados com movimento. Se falamos em movimento, falamos em Sistema Nervoso, já que ele é o grande orquestrador dos nossos movimentos. É ele quem recebe as informações do ambiente e envia as ordens para nos movimentarmos, de maneira voluntária, movimentando os músculos, ou de maneira involuntária, movimentando órgãos internos responsáveis pela manutenção do nosso organismo, como por exemplo, as batidas do nosso coração, a nossa respiração.

     Portanto, futuros fisioterapeutas, temos que cair dentro da Neurociência! Quanto mais conhecermos e entendermos desse assunto tão interessante, melhores tratamentos poderemos oferecer aos nossos pacientes!

 

                                                                                                                               Lavínia Silveira

Texto 4
  • A importância da neurociência para a Farmácia

     Ao contrario do que muitos pensam a neurociência não é uma especialidade a ser estudada somente pelos médicos neurologistas ou neurocirurgiões. Os farmacêuticos estão dentro das diversas profissões que se relacionam com a neurociência, juntamente com biólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e outras.

    Para o farmacêutico gerenciar a terapia farmacológica do paciente (como e quando os medicamentos serão administrados) ele precisa compreender a causa da patologia, para saber qual medicamento possui o mecanismo de ação mais apropriado para curar ou promover melhor qualidade de vida para o paciente. Dentre as muitas patologias, há as neuropatologias como: esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão, Parkinson, Alzheimer, autismo, esclerose múltipla e outras. Portanto, ha a plena necessidade e interesse dos farmacêuticos pela neurociência e para a contribuição da evolução da neurociência.

     Ha farmacêuticos neurocientistas aliados a centros de pesquisas universitários e indústrias farmacêuticas para desenvolver novos medicamentos para o tratamento das neuropatologias. A La Roche-Posay, por exemplo, inovou em sua área de atuação, trazendo pela primeira vez um estudo de eficácia emocional da experiência de uso de filtros solares. (Através das terminações nervosas na pele).

    Os farmacêuticos estão presentes desde a área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de medicamentos para o tratamento das neuropatologias ate o momento do uso desses. Promovendo a adesão ao tratamento, o uso racional dos medicamentos, o melhor aprazamento (horário), como administrar, qual a melhor via de administração e outros fatores.

A neurociência é um campo multidisciplinar. Tamanha sabedoria e complexidade não poderiam ficar nas mãos de um especialista apenas. Todos juntos  temos muito a contribuir para a evolução da Neurociência.

 

                                                                                                                Mitzi Abi-Haila Rodrigues

Texto 5
  • A importância da Neurociência para a Biologia / Meu relacionamento com a Neurociência

 

     Eu estava na 5ª série do ensino fundamental (imagino que não seja mais chamada assim) quando tive a primeira aula em um laboratório de ciências! Então desde os 11 anos eu dizia que queria fazer Biologia. Essa sempre foi uma ideia muito vaga pra mim levando em conta ser somente a disciplina mais legal do colégio. Então como isso virou a profissão da minha vida?

     Era assistindo as aulas de biologia que eu conseguia fazer uma série de questionamentos sobre o funcionamento do corpo humano, como os seres vivos se relacionam, como eles interagem, a origem da vida, as plantas e tudo mais. Além do amor pela biologia, fui desenvolvendo uma paixão por livros que dura até hoje. São histórias que fui devorando e guardando na memória. No terceiro ano do ensino médio tive acesso a um livro que acabou direcionando sem querer toda minha carreira dentro da biologia. “O cérebro nosso de cada dia” da neurocientista Suzana Herculano-Houzel me apresentou o mundo da neurociência além dos neurônios e sinapses que eu conhecia do colégio. Ali Suzana fez uma coisa muito importante que eu desconhecia na época: divulgação científica (a importância da divulgação científica para a Neurociência será um assunto abordado, com certeza, em um próximo texto). E por isso sou muita grata.

    No segundo período da faculdade de biologia da UERJ fui bater na porta do laboratório de Neurofisiologia. Nisso já se passaram 14 anos que incluíram uma iniciação científica, dois mestrados, um doutorado e um pós-doutorado em andamento. O que prova que o conhecimento dentro da neurociência é algo contínuo na minha vida. A licenciatura entrou na minha vida mais tarde. Durante o mestrado tive o incentivo do meu orientador para dar aula em uma disciplina eletiva chamada Neurobiologia. Depois disso não parei mais de dar aula. Hoje eu leciono a disciplina de Neuroanatomia para vários cursos da saúde.

     O sistema nervoso é o único consegue fazer a interação do organismo com o meio ambiente. Além de controlar a homeostase (equilíbrio) do próprio organismo. Quanto mais desenvolvido for o animal, mais desenvolvido será seu sistema nervoso. É o que permite comunicar-se com o meio físico (hábitat), com seus semelhantes (população) ou com outros seres vivos (comunidade).

 

                                                                                                                         Danielle Paes Branco

Texto 6
  • A importância da Neurociência para a Educação

 

O cérebro é o órgão da aprendizagem e o aprender, como descreve a neurocientista profª Marta Relvas, é mudar de comportamento.
A Pedagogia, de acordo com o seu modelo de educação intencional-reflexiva, tem como propósito a investigação, desenvolvimento de novos conhecimentos e comportamentos, que auxiliam para a construção do ser humano como integrante de uma determinada sociedade. Porquanto, os resultados desta investigação levam a orientações de ações educativas, tendo em vista o olhar do ser global, ou seja, seres biopsicossociais. E de onde vem esses comportamentos, senão dos resultados das atividades neurais do nosso sistema nervoso. Nossas emoções, pensamentos, ideias e decisões, sensações e percepções, são advindas das associações neurais do cérebro em ação.
As metodologias pedagógicas diversas, impulsionadas pelo processo de ensino-aprendizagem, estimulam processos neurais como a neuroplasticidade, alterando as redes neuronais do aprendiz. Como consequência destas modificações, surgem novos comportamentos, indo ao encontro com o que a profª Marta Relvas elucidou, descrito no começo do texto.
À vista disso, qual a efetiva contribuição das neurociências para a educação? Podemos responder com outra pergunta de forma didática: Como entender e desenhar uma luva, sem saber a existência da mão? Assim o é, o entendimento da prática educativa, como trabalhar no processo de ensino-aprendizagem, no desenvolvimento de metodologias didáticas inclusivas, onde o educador encara em sala de aula, um grupo heterogêneo, sem saber da existência de um importantíssimo órgão, mais complexo do ser humano, que é o cérebro?
O conhecimento da performance do cérebro e de suas redes neurais, colaboram nas práticas pedagógicas inclusivas, nos alertando que os estímulos adquiridos ao longo da vida, pelos responsáveis legais, pedagogos, professores, educadores em geral, são importantes no âmbito do desenvolvimento cognitivo, emocional e social do ser humano, que podem propiciar respostas benéficas ou maléficas.
Acredito, que a comunicação das neurociências e educação, são tão relevantes para nossa sociedade, como a comunicação das neurociências com outros campos profissionais. É claro, que existem muitos desafios à frente relacionados ao nosso sistema educacional, como políticas de inclusão, que requerem capacitações docentes, pesquisas, estudos de novas estratégias educacionais, dentre outros. O conhecimento neurocientífico no âmbito educacional, propicia eficientes contribuições no processo de ensino-aprendizagem.
Como agentes educadores, é imprescindível estarmos abertos para novas ideias, descobertas, estudando, pesquisando, analisando, refletindo sempre nossas ações, assim como faz o médico, que sempre está se atualizando em sua área, para melhor intervir e desenvolver com êxito seu trabalho.

 

 

                                                                                                                                    Luã Teixeira

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